sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Palavra Mágica


Carlos Drummond de Andrade

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencanta-la?
… a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Influências


Betto Aragão

As vezes as pessoas me olham como se eu fosse outra pessoa. Me idealizam com chato. Me taxam disso ou daquilo. Não quero ser ninguém, mas as vezes me olho achando ser outro idealizado por outros. Esquisito ser eu mesmo? Não! O esquisito será ser o que os outros queiram que eu seja. Não vivo pensando no que os outros pensam ou deixam de pensar de mim. Sou o que sou e basta! Não posso viver a vida pautado unicamente nas influências sociais que sofro ao longo da formação da minha identidade.

Tenho minhas próprias ideologias, vivo conforme tudo o que me foi ensinado e aprendo muito sozinho. sinto a resplandecência de estar andando, errando, ouvindo, aprendendo, mas não me deixo levar pelas influências alheias. Tenho de viver conforme manda o figurino, mas não me apego a coisas fúteis, que surgem repentinamente como modismo e que nos são induzidos corpo adentro. Enfim. Sou muito mais eu, e tenho a leve certeza que ser honesto vale muito a pena. Quem convive comigo sabe disso, sabe do quanto defendo que todo mundo seja digno de deitar e adormecer com a consciência tranquila. Pena que alguns não aprenderam!!!

domingo, 18 de outubro de 2009

Amor e ódio


Betto Aragão

Nos últimos dias tenho me dado conta que o amor e o ódio são sentimentos que estão muito próximos um do outro. São sentimentos separados por uma linha tênue que envolve paixão, sexo, desejo e até uma pitada de loucura. Muitas vezes não nos damos conta, mas o outro que esta fazendo parte da nossa vida, quase sempre está conosco por um jogo de interesse, seja sexual, por amizade, afinidade ou até mesmo por um interesse financeiro.

São pessoas medíocres que se aproximam com um propósito já firmado mentalmente onde tudo já está muito bem arquitetado, esperando apenas a oportunidade segura de lançar as garras e golpear amargamente e sem dor.

Pessoas que a gente ajuda, faz de tudo para ser gente, mas que insistem em serem pobres miseráveis de caráter. Pessoas que vivem meramente pelo fato de viver brincando com sentimentos alheios, tornando cada vez mais o título deste texto veemente e caracterizando os relacionamentos da atualidade, transformando um sentimento bonito feito o AMOR em algo que nos torna destemido de fazer uma besteira, o ÓDIO!

sábado, 26 de setembro de 2009

Reminiscências soltas traduzidas em palavras


Betto Aragão

Outrora me deitei em relvas para descansar. Relaxei com o vento batendo a minha face, remoendo meus cabelos. Imaginei! Sozinho não posso está, pois tenho o amigo sopro da vida, orvalho que me acalanta e que rebate em minha pele os minúsculos grãos de areia, relapsos em poeira, como a chuva que insiste em molhar-me. Como o sol que insiste em aquecer-me. Como o vento que teima em bater-me a face íntima da alma com o prenúncio de abrandar meu coração. Nem me importo, com tanta insistência, porque sei que sem eles não vivo!
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.



Camões

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Não passo pela vida e você também não deveria passar...



...Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atrevee a vida é "muito" pra ser insignificante. Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.

Charles Chaplin

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Oportunidades únicas


Betto Aragão

Viver a vida de modo simples. Observar nas entrelinhas do cotidiano os aspectos naturais que a vida nos proporciona é mágico. Sempre fui dado ao olhar, ainda que imaginário na natureza. Já vi orvalhos cair. Já pude perceber o desabrochar de uma flor. Já vi coisas que sei, talvez nunca mais veja. Pois, a vida tem dessas coisas. Oportunidade única!

Por isso sempre gostei de estar aberto a tudo. Mesmo quando o tudo parece um besteirol da vida diária. Mesmo quando tudo pareceu nada. Mesmo quando o nada foi tudo. Sempre estive apto a aprender, ver a vida e as coisas em diferentes prismas. Não me apego ao fixo nem ao passageiro. Vivo a vida como se de fato fosse a última vez que estivesse vivendo e é por isso que ora vejo coisas que ninguém consegue enxergar!

domingo, 9 de agosto de 2009

Buscas pelo amor...

Betto Aragão


Sempre busquei por coisas ínfimas e fugazes.
Sempre quis alguém que conversasse sobre tudo...
... inclusive sobre nada, nas horas de sossego, quando por átimos de segundos, ou por um dia todo quiséssemos apenas observar o dia passar, calados, íntimos e agarrados um ao outro. Tudo o que eu quis, eu sempre tive, corri, lutei e consegui.

Almejo muito ainda, inclusive um amor, pelo qual não sei se chegará.
Mas, nem sei se existe amor, nem sei como se ama, e assim como Fernando Pessoa, sei como se sonha amar e saberei amar, mas quando eu sentir que a pessoa certa, se é que existe pessoa certa para se amar.

medos da vida

autor desconhecido

Quando alguma coisa ingressar em sua vida, desfrute-a, utilize-a bem e, quando chegar a hora, deixe-a ir. Tudo o que se leva da vida são as experiências, os aprendizados e a felicidade. Por que esta dificuldade em deixar ir pessoas e situações que já cumpriram o seu papel em nossas vidas? A resposta é medo, o velho e antigo medo da vida, medo da renovação, medo das mudanças... medo de andar com as próprias pernas, deixando muletas para trás. Medo de assumir riscos, de fazer escolhas e de ser responsável por elas...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aprendizado...


Aprendi que meu pai pode dizer um monte de palavras que eu não posso (aos 8 anos).
Aprendi que minha professora sempre me chama quando eu não sei a resposta (aos 9 anos).
Aprendi que os meus melhores amigos são os que sempre me metem em confusão (11 anos).
Aprendi que, se tenho problemas na escola, tenho mais ainda em casa (12 anos).
Aprendi que quando meu quarto fica do jeito que quero, minha mãe manda eu arrumá-lo (13 anos).
Aprendi que não se deve descarregar suas frustações no seu irmão menor, porque seu pai tem frustações maiores e mão mais pesada (15 anos).
Aprendi que nunca devo elogiar a comida de minha mãe quando estou comendo alguma coisas que minha mulher preparou (25 anos).
Aprendi que se pode fazer, num instante, algo que vai lhe dar dor de cabeça a vida toda (29 anos).
Aprendi que quando minha mulher e eu temos, finalmente, uma noite sem as crianças, passamos a maior parte do tempo falando delas (35 anos).
Aprendi que casais que não têm filhos sabem melhor como você deve educar os seus (37 anos).
Aprendi que é mais fácil fazer amigos do que se livrar deles (40 anos).
Aprendi que mulheres gostam de ganhar flores, especialmente sem nenhum motivo (42 anos).
Aprendi que não cometo muitos erros com a boca fechada (44 anos).
Aprendi que a época que preciso realmente de férias é justamente quando acabei de voltar delas (45 anos).
Aprendi que você sabe que seu amigo o ama, quando sobram dois bolinhos e ele pega o menos (46 anos).
Aprendi que nunca se conhece bem os amigos, até que se tire férias com eles (46 anos).
Aprendi que casar por dinheiro é a maneira mais difícil de conseguí-lo (47 anos).
Aprendi que você pode fazer alguém ganhar o dia simplesmente mandando-lhe um pequeno cartão (48 anos).
Aprendi que a qualidade de serviço de um hotel é diretamente proporcional à espessura das toalhas (49 anos).
Aprendi que crianças e avós são aliados naturais (50 anos).
Aprendi que quando chego atrasado ao trabalho, meu patrão chega cedo (51 anos).
Aprendi que o objeto mais importante de um escritório é a lata de lixo (54 anos).
Aprendi que é legal curtir o sucesso, mas não se deve acreditar muito nele (57 anos).
Aprendi que não posso mudar o que passou, mas posso deixar pra lá (63 anos).
Aprendi que a maioria das coisas com que me preocupo nunca acontecem (64 anos).
Aprendi que se você espera se aposentar para começar a viver, já esperou tempo demais (67 anos).
Aprendi que quando as coisas vão mal, eu não tenho que ir com elas (72 anos).
Aprendi que amei menos do que deveria (88 anos).
Aprendi que tenho muito a aprender… (90 anos).

Ah se eu pudesse... na verdade a gente pode tudo, basta querer!


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima vez trataria de cometer bem mais erros.
Não me esforçaria para ser tão perfeito…
Eu seria bem mais tonto ainda do que tenho sido…
Em verdade, levaria a sério bem poucas coisas.
Eu relaxaria mais….
Correria mais riscos…
Viajaria mais…
Contemplaria mais entardeceres…
Subiria mais montanhas…
Nadaria mais rios…
Iria a mais lugares para onde eu nunca fui…
Tomaria mais sorvetes e menos sopa de lentilhas…
Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários…
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensato e produtivamente cada minuto de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria, mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos…
Porque, se vocês não o sabem, é disso que é feita a vida…
Só de momentos!
Não convém desperdiçá-los agora.
Eu era uma dessas pessoas que nunca ia a parte alguma sem levar
termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas.
Se eu voltasse a viver, viajaria mais leve…
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o final do outono…
Circularia mais na minha rua…
Contemplaria mais amanheceres e brincaria mais com as crianças…
Se tivesse uma vida pela frente…

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Absurdo


Do livro do desassossego de:
Fernando Pessoa

Tornarmo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios. O absurdo é o divino.

Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas – agirmos e justificar as nossas ações com teorias que as condenam. Talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos, nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.

Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"Santa Cruz do Capibaribe pelos olhos de um taquaritinguense"


Insuportavelmente bela, a terra das confecções encanta qualquer um que por essas bandas insistam visitar. São as mãos habilidosas de mulheres instigantes que com a arte da costura impulsionam a economia dessa terra. Santa Cruz do Capibaribe perdeu sua calma de outrora, mas ganhou o burburinho do desenvolvimento rápido que se ver por entre as ruas, casas e pequenos fabricos de quintal. A população sequer reclama, mas se assusta ao ver a criminalidade aumentar, pois é. Criminalidade e violência é o preço que se paga pelo desenvolvimento. Ou isso ou aquilo, como dizia a bela e doce Cecília Meireles! Ou se tem calma e não se tem desenvolvimento, ou se tem desenvolvimento e não se tem calma.

Santa Cruz do Capibaribe, terra que amo e que vivo há 20 anos. Cidade que eu adotei para morar. Terra que me viu crescer e por aqui aprendi a arte de costurar, de saber o segredo da boa costura. Terra da “sulanca”, que outros preferem terra das confecções, uma vez que sulanca se mostra pejorativo, devido muitos verem o termo como roupa de pouca qualidade. Mas, foi com esse termo que a gente batalhadora, parou em pleno domingo a noite para ver sua terra mãe ou adotiva para muitos, desfilar em matéria do Fantástico.

A terra das confecções mais do que nunca é importante para toda a região Agreste de Pernambuco. Pelas vias da BR 104, a produção santacruzense escoa pelo Brasil afora ganhando novos ares e vestindo gente que nem sabe da existência desse oásis em pleno Nordeste brasileiro.

domingo, 5 de julho de 2009

Genialidade poética de Clarice Lispector

Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais…



Agora, leia de baixo para cima.


Agora veja o comentário de Raldianny Pereira

Clarice, valendo-se de frases absolutamente triviais relacionadas a um tema do cotidiano, tão antigo quanto o próprio ser humano, criou um poema original e surpreendente.

Perdoem minha ignorância, mas jamais vi nada igual.

Admiro a genialidade desta admirável mulher e a sensibilidade de sua arte que, quem sabe, venha exatamente da simplicidade…

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Agir


Extraído do Livro do "Desassossego" de Fernando Pessoa

Eu agi sempre,
Eu agi sempre para dentro
Eu nunca toquei na vida.
Nunca soube como se amava...
Apenas soube como se sonhava amar.
Se eu gostava de usar anéis de dama nos meus dedos,
É que às vezes eu queria julgar
que as minhas mãos eram de princesa.
Gostava de ver a minha face refletida,
Porque podia sonhar que era a face de outra criatura...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Olhar bem devagarinho...


Betto Aragão

Olha devagar para as pessoas, coisas ou objetos nos permite enxergar de fato como são. A pressa do dia a dia nos faz ver tudo tão rápido que estamos perdendo a essência de olhar o outro de forma sublime e peculiar. As características hão de se perder pela rapidez do cotidiano. Devemos voltar a cada instante e rever por entrelinhas, cores, caminhos ou seja lá pelo o que for, mas temos por obrigação de estarmos aptos a cada momento rever algo que se foi, e sorte nossa se pudermos ainda rever...


As coisas passam rapidamente como um cometa que se foi e não volta mais. Perdemos-nos pelo tempo. Um tempo que não perdoa nada, um tempo que nos faz perceber o quão importante são os seres que entram e saem de nossas vidas. Cada um que entra, quando sai deixa um pouco de si. Algo bom ou ruim, mas deixa. Os erros colhidos pelo caminhar nos remetem aos acertos quando temos sensibilidade de abstrair o aprendizado obtido a partir dos erros, sejam eles alheios ou nossos. Pena que quando é nosso, fica mais difícil de reconhecer, pois é muito mais fácil apontar o dos outros!

sábado, 27 de junho de 2009

Planície de prata


Composição: Almir Sater / Paulo Solimões

O sol se foi sem pressa,
Deixou o sol quase sem luz,
Até que veio outra estrela,
Brincar com meus olhos nus,
Não soube a resposta certa,
Assim meu coração me traduz,
Meu coração de poeta,
Guardei nem sei mais onde pus,
A lua é uma porteira aberta,
Planície de prata onde eu me perdi,
Secreta foi a serenata,
Saudade maltrata,
Jamais te esqueci.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Risadas, medos e possibilidades...


Bob Marley


Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo.
Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele.
Sou inconstante e talvez imprevisível.
Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras.
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.
São poucas as pessoas pra quem eu me explico...

sábado, 20 de junho de 2009

O grotesco e o belo

Por: Betto Aragão

O bonito do meu interior é a simplicidade da minha gente. Fico observando o vai e vem das senhorinhas com suas trouxas de pano transitam por entre as ruas, ora largas ora estreitas, típicas de cidadezinhas interioranas do meu Brasil. Outras mulheres que com seus afazeres domésticos preferem carregar latas d’agua na cabeça e assim, elaboram sua lida diária em casa mesmo.


Outrora por entre essas terras calmas de gente batalhadora, Nordeste brasileiro, parei no tempo, como uma gaivota paira no ar em busca de sua caça. Parei literalmente no tempo para observar as réstias que pelas frestas do telhado de uma casa adentrou sem pedir licença. Um garoto na sala brigava com a réstia, como se ela fosse um bicho traiçoeiro que entrara em seu lar.

Fiquei maravilhado vendo aquela cena. Uma cena grotesca mas, que em mim teve significado por eu poder perceber que mesmo vivenciando em uma sociedade puramente capitalista a inocência ainda reina, basta observar!

"A Política"

Os Estados brasileiros são como casas. As divisas são as canaletas que toma-se como destino a fossa principal: Brasília!


U.J.S

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Revelação

Mário Quintana

Eu me esqueci no armário.

Pensei estar vivendo,
estudando, trabalhando, sendo!

Pensei ter amado e odiado,
aprendido e ensinado,
fugido e lutado,
confundido e explicado.

Mas hoje, surpreso,
me vi no armário embutido
calado, sozinho, perdido, parado.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ame e dê vexame


Texto extraído do livro "Ame e dê Vexame", Editora Novo Paradigma
(escrito por Roberto Freire).

Você ama aquela petulante.
Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu.
Você deu flores que ela deixou a seco, você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente.
Então?
Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é viciante e você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.
Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste.
Ele diz que vai ligar e não liga.
Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Por que você ama este cara ?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento e sim uma equação matemática:
Eu linda + você inteligente igual a dois apaixonados.
Não funciona assim.
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.
Caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.
O amor não obedece à razão.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou pelo tormento que provoca.
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó.
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.

Primeiro, não queremos perder


Lya Luft

É LÓGICO NÃO QUERER PERDER.
NÃO DEVERÍAMOS TER DE PERDER NADA:
NEM SAÚDE, NEM AFETOS, NEM PESSOAS AMADAS.
MAS A REALIDADE É OUTRA:
EXPERIMENTAMOS UMA CONSTANTE ALTERNÂNCIA DE GANHOS E PERDAS.

SEGUNDO:
PERDER DÓI MESMO.
NÃO HÁ COMO NÃO SOFRER.
É TOLICE DIZER NÃO SOFRA, NÃO CHORE.
A DOR É IMPORTANTE.
O LUTO TAMBÉM.

TERCEIRO:
PRECISAMOS DE RECURSOS INTERNOS PARA ENFRENTAR A TRAGÉDIA E A DOR.
A FORÇA DECISIVA TERÁ QUE VIR DE NÓS, DE ONDE FOI DEPOSITADA A NOSSA BAGAGEM.
LIDAR COM A PERDA VAI DEPENDER DO QUE ENCONTRARMOS ALI.

A TRAGÉDIA FAZ EMERGIR FORÇAS INIMAGINÁVEIS EM ALGUMAS PESSOAS.
POR MAIS DEVORADOR QUE SEJA, O MESMO SOFRIMENTO QUE DERRUBA FAZ VOLTAR A CRESCER.

QUANDO É HORA DE SOFRER NÃO TEMOS DE PEDIR LICENÇA PARA SENTIR, E ESGOTAR, A DOR.
O LUTO É NECESSÁRIO, OU A DOR FICARÁ SOTERRADA, SEU FOGO QUEIMANDO NOSSAS ULTIMAS RESERVAS DE VITALIDADE E FECHANDO TODAS AS SAÍDAS.

APRENDI QUE A MELHOR HOMENAGEM QUE POSSO FAZER A QUEM SE FOI É VIVER COMO ELE GOSTARIA QUE EU VIVESSE:
BEM, INTEGRALMENTE, SAUDAVELMENTE, COM ALEGRIAS POSSÍVEIS E PROJETOS ATÉ IMPOSSÍVEIS.

Do Livro do Desassossego- Fernando Pessoa



" Lembro-me de quando era criança e via,
como hoje não posso ver,
a manhã a raiar sobre a cidade.

Ela não raiava para mim
mas para a vida
porque então eu, (não sendo consciente)
eu era a vida.
E via a manhã e tinha alegria
Hoje vejo a manhã, tenho alegria
e fico triste.
Eu vejo como via,
mas por trás dos olhos, vejo-me vendo.
E só com isso, se obscurece o sol,
o verde das árvores é velho,
e as flores murcham antes de aparecidas."

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Delete ou arquive


Texto de Ricardo Junior

Dentro de você, existem duas teclas poderosas,
'Delete' e 'Arquive'...
Use-as com sabedoria!!!
'Delete':
Tudo aquilo que não valeu a pena, quem mentiu, quem enganou seu coração, quem teve inveja, quem tentou destruir você, quem usou máscaras, quem nunca chegou a saber exatamente quem você é...
'Arquive':
As pessoas reais, ainda que virtuais, que cederam carinho, tempo, palavras, conselhos, a mão, o coração, pessoas que, de um jeito ou de outro, ajudaram você a ser um pouco melhor.
Uso sempre o "Arquive" para os amigos do Multiply.Você está na memória e no meu coração

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Desenho de Roberto Cássio e pensamento de Betto Aragão

Confusões de um pensamento


Texto de Betto Aragão

Vagamente, estando só, penso e rebusco palavras cuidadosamente escolhidas para expressar de forma sublime o carinho que sinto por você. Vivendo sempre na ânsia ou penúria de não ter você sempre que necessário é que gasto meu tempo para lembrar-me de você, que um dia se foi sem que eu esperasse. Se foi levando parte de mim, que hoje em instantes de lembranças eu imploro para você regressar e trazer consigo a paz que me levastes. Depois...

Ah, depois se quiseres tu podes partir, contudo, se fores deixa o que nunca foi teu, pois eu não quero perder o que não tenho, afinal, é impossível se perder do que não se tem ou do que nunca teve. Entretanto. Vigiarei permanentemente, porque se fores de fato meu, te buscarei e para sempre viverás comigo. Eu sei, ora sou possessivo mesmo, vivo como se o outro fosse propriedade minha, mas só pelo fato de não pagar IPTU dessa propriedade é que em lapsos de memória me faz ver que ninguém pertence a outrem. Eu sofro, mas eu vivo e aprendo!

Cuida de mim...


Texto de Fernando Anitelli

Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
"Tanto faz" não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...

Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás se voltar atrás assim como eu.

Busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...

terça-feira, 2 de junho de 2009

AMAR DE MAIS É LOUCURA!...


Texto de Fernanda Costa


Porém, amar e saber amar
para o amor não cansar...

Ama, exige ser amado
sem Excessos de paixão
porque um ser apaixonado
deixa de ver a razão.

E o amar, cegamente,
ainda que o não pareça,
tem levado muita gente
a portar-se infantilmente
e a perder a cabeça.

Num amor equilibrado
cada um dos dois assume
o controlo do seu lado,
sem escravizar, sem ciúme,
saber amar e ser amado
não há mais belo perfume.

Amar com sinceridade,
sem nada ter que inventar
dando o que se tem p'ra dar,
naturalmente, à vontade,
é amor, é lealdade
que nunca vai saturar
e jamais pode acabar.


Amar de mais é loucura,
amar de menos cinismo,
mas, amar com egoísmo,
é muito pior, satura!
Portanto se amares, procura,
amar com conta e medida
para não teres na vida
um amor que é uma tortura.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sabedoria plena


Clarice Lispector

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Descobertas


Mário Quintana


Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas
as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

OBS: o título dessa postagem não é o mesmo do poema do Quintana. Eu escolhir postar com esse título devido eu achar que tem tudo a ver!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Promessas


Autor desconhecido


Prometo
Prometo buscar o amor dentro do seu coração,
Prometo cultivá-lo,
Prometo lhe dar consolo quando precisar.
Prometo te amar,
Fazer dos problemas
Momento insignificantes.
Prometo te dar apoio,
Compreensão.
Te prometo acima de tudo
A minha amizade.
Prometo estar sempre do seu lado.
Prometo encontrar seus sorrisos
E enxugar suas lágrimas.
Prometo ficar acordado Velando por teu sono.
Prometo que vou buscar todas
As formas para lhe fazer feliz.
Prometo que as estrelas serão suas
E a lua será nossa...
São milhões de promessas
De um Verdadeiro Amor sem limites,
Que jamais terá fim
"PROMETO..."

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ânsias


Texto de Betto Aragão

Fico com ânsia de te ouvir e te ver pelas estradas que outrora traçamos juntos.
Por entre as paredes que um dia estive contigo, hoje vivo com desejo de te ter e te tocar novamente.
Vivo e te buscar no brilho de olhos alheios aos meus, eu meu olhar busco reflexos de você.
Ansioso pela vida, por veredas estranhas insisto em passar. Caminhos que sei, você sempre anda por eles. Busco sempre esses caminhos e quando te encontrar fingirei que foi mero acaso. Ao te encontrar quero sentir de leve um forte estremecer visceral e, com alegria, ainda que eu não possa te tocar, vou te ver e passar perto de você.
Fico todo torto, até sem jeito de falar, eu sei que me ligas e mal falas também. Eu... ahhh. As poucas palavras que saem são balbuciadas, pois fico com ânsias e sem jeito de expressar meu nobre sentimento por ti. Sinto um desejo, quando te vejo...
Deixa para lá. De que vale expressar se não posso te tocar?

A lista




Oswaldo Montenegro



Faça uma lista de grandes amigos Quem você mais via há dez anos atrás Quantos você ainda vê todo dia Quantos você já não encontra mais... Faça uma lista dos sonhos que tinha Quantos você desistiu de sonhar! Quantos amores jurados pra sempre Quantos você conseguiu preservar... Onde você ainda se reconhece Na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria Quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava Hoje são bobos ninguém quer saber? Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo Eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava Hoje assobia pra sobreviver? Quantas pessoas que você amava Hoje acredita que amam você?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Viramundo

Betto Aragão

Andando pela vida, caminhos obscuros trilhados e compartilhados, ora por gente honesta, ora por pessoas que não valem absolutamente nada. Seres que se acham espertos e desenrolados.

Aprendi que seres que se dizem espertos e inteligentes são desenrolados para enrolar os outros, pois nada sabem de concreto. Se perdem nas palavras proferidas, nas entrelinhas se afogam e submergem em solidão e tristeza. Remorsos surgem para fazer essa gente acordar, mas são tão burros que não se dão conta e seguem no erro da burrice.

Preferem continuar submersas no vazio da própria subjetividade atracando íntimos alheios. Na vida quase sempre se prefere perder sempre a perder de uma só vez. Permita-me explicar! Quando amamos alguém por exemplo, e essa pessoa não nos ama, mesmo ela nos destruindo, nos traindo em todas as dimensões, queremos continuar com ela. Pois, temos a esperança que a mesma vai mudar e nos prendemos a alguém sem valor. Na insistência de continuarmos, passaremos a perder sempre ao invés de perder apenas uma vez, deixar de lado esse ser que “amamos” mas, que não nos ama. A felicidade consiste em acabar uma coisa para começarmos outra. Um minuto em nossa vida nunca é mais, vai ser sempre menos. Pensem nisso!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os votos


Poema de Sérgio Jockymann



Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.

E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.

E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.

E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.

E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.

Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Tabacaria


Fernando Pessoa

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Hoje vivo para mim...


Texto de Betto Aragão

Um dia eu estive entre o amor e o ódio, o medo e a coragem
e entre a razão e o coração. Foram emoções dentre linhas tênues
que me fizeram repensar rapidamente se valeria a pena estar e viver
com você.

Algo nojento, sem sentido, ignorado sentimento que por entre póros me banhei,
sem sequer me dar oportunidade de parar e, com razão, dizer a me mesmo que você
não valeu nada, e nem tampouco significou algo para mim.

És um ser muito pequeno e deprimível para fazeres parte de minha vida...

Não quero. Hoje estou pleno e convicto que não te quero mais. Nem sei se te quis um dia. Fostes para me, meramente um passaado ruim que já se foi...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Noite na Ilha


Pablo Neruda

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Necessidade


Betto Aragão

Texto elaborado com base em fragmentos de Clarice Lispector


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. E o amor? Ah, eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil e não é. Aliás, eu nunca soube como se ama,apenas sonho em amar... e tive medo de amar, quando o amor bateu a minha porta.

Mas, tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sempre fui um mistério para mim mesmo. Vivo a constante busca de me entender.

Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Uma imagem belíssima da natureza pra você!


Adriano José

Talvez você não perceba, mas, muitas coisas passam despercebidas diante de nosso olhar. Até mesmo o que nos parece tão comum, visto de um ângulo diferente, se torna uma grande imagem. Na vida, as coisas se comportam da mesma forma. Existem situações que nos parecem muito iguais mas, que requerem apenas, um olhar diferenciado, amistoso e por que não amável. Tente olhar o ordinário, o comum, em extraordinário....

domingo, 19 de abril de 2009

AMOR


Texto elaborado a partir de fragmentos de outros autores

Existem amores... e, existe um amor especial, apenas uma vez em nossas vidas... este tipo de amor pertence ao Céu, é incondicional e ele será para sempre... como uma marca cósmica, uma infinita lágrima de alegria e um abraço sem fim! O difícil é descobri-lo, discerni-lo, em meio às tempestades do nosso coração, pois ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem.

Os sofrimentos do amor devem enobrecer e não degradar o ser. Só quem amou na vida sabe o dom desse nobre sentimento. O amor não consiste em fitar um ao outro, mas em olhar juntos na mesma direção, por que o amor vem de onde menos se espera quando não se está procurando por ele. Sair à procura do amor nunca resulta na chegada do parceiro certo e só cria melancolia e infelicidade. O amor nunca está fora de nós, mas dentro de nós.

O amor vem de onde menos se espera quando não se está procurando por ele. Sair à procura do amor nunca resulta na chegada do parceiro certo e só cria melancolia e infelicidade. O amor nunca está fora de nós, mas dentro de nós. O amor só é amor, se não se dobrar a obstáculos e não se curvar à vicissitudes... é uma marca eterna... que sofre tempestades sem nunca se abalar, pois o amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício. O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro. Portanto faça tudo hoje... AGORA!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amor ao Capibaribe

Por: Betto Aragão


Às margens do Capibaribe me banhei,
em suas enchentes mergulhei, nadei.
Suas águas límpidas e cristalinas,
nossa gente em seu leito,
pescadores a deriva com suas redes a pescar.

Do Rio Capibaribe tanta gente sobrevive. Seja pescando
ou irrigando, seu sustento é garantido.
Suas águas por socorro estão bradando. Tomara
que seja logo o socorro chegado, que suas águas agoniadas
não sejam sucumbidas. Tarde demais!
Que o Capibaribe não morra.

Que volte a ser o que foi outrora,
que nossa gente, em tarde de domingo possa voltar a brincar
e a se banhar nas águas do velho e bom CAPIBARIBE.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Chuvas de inverno


Betto Aragão

Adoro a chuva. Gosto quando ela cai sem alarde.
Despencando lentamente, escorregando pelas veredas
de encontro ao rio.

As lágrimas das nuvens caindo para a terra molhar e fazer germinar
as sementes que o homem plantar.
Adoro ouvir seus pingos fortes em meu telhado.
Gosto do friozinho que ela nos proporciona.
A brisa que nos faz ir a cama mais cedo, acordar mais tarde,
dormir mais aconchegante nos braços de quem se ama... mas, só quando se tem esse alguém.
Ordeno meus tímpanos a parar e ouvir com calma ela cair.
Essa chuva que molha o chão, que outrora me encharcou ao andar
pelas ruas claras ou escuras.

Ela nunca me incomodou. Nunca corri dela, pelo contrário, corri para ela.
A chuva que eu tanto gosto e estimo, que ao se formar em céu nublado
para me, nada mais é de um prenúncio de tempo bom, aqui em meu sertão...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

1º de Julho


Renato Russo


Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim

Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nunca fui dado a quem só me teve por opção


Por: Betto Aragão

Sempre fui ausente a essas pessoas que me quiseram unicamente por estar solitárias ou em busca de algo material. Por muitas vezes fui alheio a mim mesmo em busca de não me ater a gente de tão pequena estirpe. Porque na vida, muitas pessoas nos amam pelo o que somos, outras pelo o que temos; amam ou nos odeiam. Mas, sempre haverá esse controverso entre esses sentimentos; amor e ódio. São sentimentos que, nunca que eu soubera, mas há uma possibilidade enorme de mutação. Pois, eu mesmo hoje me pego odiando quem outrora amei demais. Sempre fui autêntico falei o que pensei e o que quis falar.

Nunca aceitei palavras vazias ou soltas impostas por um amor mal tido ou maldito. E, mudo de opinião mesmo, desde que for para eu me sentir feliz. Não me apego a coisas fáceis, pois as mesmas são muito vagas para habitarem o meu ser. Não quero mais uma vez viver a inconseqüência de ter pessoas em minha vida que não me tragam algo a mais, pois vivendo eu em busca de uma verdade mais elevada, terei por convicção de ser eu mesmo meu fiel e cruel crítico. Viverei em busca de gente, de carne e osso, que sofra, que sinta... Buscarei por pessoas e não por embalagens sem conteúdo, vazias. Corpos malhados e bonitinhos, quase sempre são ordinários...

No mais, buscarei estar sempre feliz comigo mesmo, sem pensar em fazer ou agir de forma a agradar por agradar quem está comigo. Afinal, o nosso primeiro e último amor é ... o amor próprio.

Recortes


Clarice Lispector

...porque se olhares em mim verás...
não sou tão má quanto pensas;
apenas não sou tão corajosa como imaginas...
pareço forte mais no fundo sou fraca
fera porém sou bela
as vezes chata mais no meu íntimo há sentimentos diversos
pareço metida porém se olhares em meu semblante com seu coração verás apenas humildade
calma sempre...
posso até parecer solitária ...
é que realmente tenho poucos amigos...
a diferença é que os poucos que tenho
não valem metade de um seu ...
pense nisso
depois me julgue
lembre-se que se me julga pela aparencia...
sou apenas o reflexo de sua ignorancia...

Ensinamentos de Madre Tereza de Calcutá


Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas... Continue, quando todos esperam que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha.
Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.
Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.
Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos... Mas o que é importante não muda... a tua força e convicção não tem idade. O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
A pior calamidade para a humanidade não é a guerra ou o terremoto. É viver sem Deus. Quando Deus não existe, se admite tudo. Se a lei permite o aborto e a eutanásia, não nos surpreende que se promova a guerra!
O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Imaginário


Betto Aragão

Não sei aonde vou, se vou, nem por que vou.
Sei que preciso percorrer caminhos, objetivando te rever.
As curvas passadas, o espaço encurtando, a angústia rolando
e a insensatez de te ter, mesmo sem tocar-lhes. Os poros enchendo,
o suor escorrendo, o tique nervoso na perna tremendo na ânsia
de não te rever.
Pouco a pouco vou percebendo na malha asfáltica o tempo-espaço
quase inexiste entre eu e você.
Revendo mensagens, convites alheios, festas imaginadas
a fim de te ver,ainda que pareça por obra do acaso.
Um acaso inerte inebriante que não age em favor de mim.
Te avisto ao longe, e de longe te observo, meu olhar chega até você
Mas, sequer te tocar vou poder...

Talvez


Pablo Neruda

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

domingo, 5 de abril de 2009

Sempre eu mesmo...


Clarice Lispector

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre...

a vida...

autor desconhecido

A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije demoradamente, ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente, e nunca deixe de sorrir, por mais estranho que seja o motivo.
A vida não pode ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui, devemos dançar...

Busca por uma paixão

Betto Aragão


Meu olhar ficou perplexo
Meu corpo estremeceu
Minha boca latejou
Minha pele arrepiou.
Minhas mãos trêmulas
A voz balbuciou
Perdi o andar
Meu olhar te acompanhou e,
Eu aqui estou com sua imagem fixada
Na minha mente.
Andei pelo sol ardente,
Em meio a multidão te busquei, nos rostos alheios te encontrei.
Vivi histórias absurdas. Olhei para o lado
Imaginei seus olhos
Buscando o meu ser
Em cantos e recantos obscuros,
E por ti fui tocado, enfim, apaixonado...

Saída


Texto de Conceição Gomes


Um poema
Uma canção
Uma saída
Uma gota
Uma fuga
Um pedaço de pão

Um poema
Um coração
Uma ida
Uma volta
Uma presença
Uma ausência

Um poema
Um dia
Uma noite
Uma vida
Um sorriso
Uma lágrima

Um poema
Um planeta habitado
Pessoas loucas
Pessoas sãs
Pessoas que vegetam
Culpados
Inocentes

Um poema
Para fugir
Para ficar
Para viver
Para beber
Para comer

Um poema que salve
Que examine
Que exime
Que entenda
Que pacientemente venha
Mostrar a saída.